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Assisti: Cosmos: A Spacetime Odyssey

Opa, faz tempo né? =)

We are star stuff!

Seth McFarlane é um cara meio babaca com criações muito babacas. Family Guy é um poço de piadas sendo repetidas várias vezes e explicadas o tempo todo pra economizar em escrita e ter certeza de que todo mundo entendeu a piada, American Dad consegue ser exatamente a mesma coisa – e eu não entendo como ambos fazem sucesso quando são tão idênticos – e sua apresentação do Oscar foi repleta de piadas desnecessárias. Ao unir o conjunto da obra, deduz-se que ele é só mais um americano buscando fama e um jeito de perpetuar piadas com gente gorda como assunto.

Até a hora que ele vai, pega a grana e a influência na mídia que ele construiu nesses anos todos, e lidera um remake da melhor série de ciência já feita na história: Cosmos.

Cosmos é incrível: Carl Sagan, junto de sua esposa Ann Druyan, produziu uma série de 13 episódios em 1980 explicando em linguagem comum sobre conceitos de física, biologia, astronomia, química, história e tudo que circunda a ciência num formato fácil de digerir e delicioso de assistir, repleto de viagens fantásticas e analogias que realmente fazem sentido. A série foi premiadíssima e segue até hoje firme e forte como referência a todo programa de TV que fale de ciência. Nunca ninguém tinha falado de um assunto tão difícil de um jeito tão épico. Uma versão TL;DR de Cosmos pode ser encontrada lá no YouTube em forma de remix que ficou lindo, vai lá ver. Mais de trinta anos depois, Cosmos retorna com uma cara completamente nova, um nome composto e um novo apresentador: Neil Degrasse Tyson. O novo formato aproveita os avanços da tecnologia que tivemos nos últimos trinta e quatro anos, adiciona lindos efeitos especiais, e traz como produtores executivos Seth McFarlane e Ann Druyan. Por essa ninguém esperava.

O resultado é magnífico: Tyson tem suas palavras muito bem escritas e expressadas, e informa ao mesmo tempo que seduz com as descobertas da ciência. Sua escolha como apresentador foi perfeita, visto que ele dedica boa parte do seu tempo divulgando ciência e inspirando jovens pelo mundo todo – tão pop que ele deve ser o único astrofísico que virou meme até hoje. O roteiro tem a adição de muita informação nova que não se sabia há 34 anos atrás, o que torna tudo ainda mais interessante. Sempre temos a impressão de que já que não temos mais gente indo pra Lua, que desistimos do assunto. Já ao comparar o que Cosmos dizia nos anos 80 e hoje, se percebe como a ciência caminhou durante todo esse tempo. E o melhor: se percebe o quanto ainda temos que descobrir e o quanto temos que ser corajosos e questionar em tudo que vemos.

Para entusiastas de tecnologia e interessados por ciência, assistir Cosmos: A Spacetime Odyssey é fantástico. A série faz você se sentir criança novamente e ter curiosidade sobre tudo, pois ao invés daquela baboseira chata de teses acadêmicas você leva um show de efeitos especiais dignos dos melhores filmes de Hollywood com um roteiro tão bem redigido e tão interessante que dá vontade de chorar. Entender como a ciência é maravilhosa e tão cheia de nuances é algo inestimável, é de explodir a cabeça. Experimente!

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Publicado por em 11/04/2014 em Uncategorized

 

Agulhas e Linhas

Classe e postura num look moderno

A tão famigerada moda.

Gosto como moda virou um saco de pancadas, um alvo fácil: sempre que se quer falar de futilidade, lá está ela, prontinha pra levar uns sopapos. Mas o mais divertido é como isso aconteceu.

Moda sempre foi um trabalho de artesãos. Quem já experimentou remendar uma roupa ou pregar botões sabe do que eu estou falando: demora muito e requer muita habilidade. Cada ponto, cada botão e cada bordado levam horas para serem executados e trazem muito do estilo do artesão. Pontos mais soltos ou apertados, cores leves ou fortes, modelagens clássicas ou contemporâneas convivem e comunicam intenções e habilidades. A análise da vestimenta é uma das formas mais visuais de se entender a cultura de um povo, desde como tratam suas mulheres e crianças até como as guerras se defloram.

Até que chegou uma hora que o artesão ficou em segundo plano, e a figura do estilista foi criada.

1846: o alfaiate inglês Charles Frederick Worth, aos 21 anos, muda-se de Londres para Paris. Em pouco tempo, torna-se o primeiro costureiro com ateliê e a desfilar suas criações em modelos vivos. Vestiu rainhas e imperatrizes, foi o primeiro “fornecedor”, como eram chamados pela aristocracia os comerciantes da época, a entrar pela porta da frente e frequentar os ambientes sociais de suas clientes. Revolucionário, é considerado o pai da alta costura, aquele que deu início ao que se pode chamar de história da moda feminina ocidental.

Fonte: Blog do Gayegos

Mesmo ainda sendo um artesão, a figura mudou de imagem. O fato de ser um costureiro ficou em segundo plano, e a criatividade envolvida na criação obteve uma aura de magia fazendo com que as pessoas se esquecessem como roupas são criadas. Se esqueceu do engenheiro e se deu valor demais pro arquiteto, desconsiderando o fato de que um não vive sem o outro.

Hoje, com a dominação de produtos feitos em massa, muitas comunidades se esforçam para retomar o valor ao artesão. Por outro lado, o culto à moda se esqueceu deles. Enquanto se dá valor ao ter em quantidade ao invés de qualidade, à rapidez e à volatilidade, temos cada vez mais uma moda que se assemelha ao nosso tempo: rápida, mal feita, efêmera, fútil. Se dá valor a fotógrafas de looks do dia, se esquece da costureira que demorou três dias pra fazer um vestido e ganhou 5 reais por hora. Se cobra do estilista criatividade infinita e seis coleções ao ano, se esquece que moda é feita de agulha, linha, tecido e muito estudo. A moda é uma arte de artesãos, e não de quem almeja glamour. Glamour é consequência e não regra.

Talvez devêssemos criar com nossas próprias mãos, assim tornando mais ampla nossa visão sobre o objeto e, quem sabe, mais interessante. E troque mentalmente “moda” por “games” nesse texto que continua fazendo sentido.

 
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Publicado por em 07/08/2012 em Consumismo, Tem que ver isso aí

 

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O Pintor

Reformar a casa é sempre uma aventura, daquelas que se planeja antes com uma felicidade incrível, se sofre amargamente durante, e se festeja muito quando acaba.

Esses dias contratamos um pintor.

– É assim: tem duas cores de tinta, a bege e a verde. Use a verde pra pintar essa parede aqui da sala e o lavabo; todo o resto da casa pinte com a bege.

– Tá bom. E essa outra parede aqui, que cor é?

– Essa outra aí é bege. Verde é só o que eu te falei antes.

– Tá. E essa terceira aqui?

– Bege também – dizemos, e ao mesmo tempo levamos nossas mãos às nossas testas.

No final das contas, tivemos que escrever, em todas as paredes da casa, quais cores deveriam ser usadas em cada uma delas.

….

– Relaxa que eu termino isso aí rapidinho – diz pintor, se preparando pra sair de casa às 3 da tarde.

– Bem, se termina rapidinho dá pra terminar hoje! São três da tarde ainda!

….

– Tinta de acabamento acetinado é mó ruim

– Por quê?

– Porque aparece muito o erro do pintor.

– Ah, não tem problema, você vai fazer ficar bem bonitinho, não?

Pintor fica obviamente irritado.

….

– Que bonito esse tom de bege! –  diz o pintor, ao olhar a tinta na lata

– Que esquisito esse bege na parede… – diz o pintor, após a primeira demão

– Esse bege aí, tô dizendo, vai ficar mó feio. Tinha que ser um amarelo mais escuro ou aquele verde ali nas parede tudo! – diz o pintor, ao descobrir que a tinta precisaria de três a quatro demãos pra ficar boa, enquanto a verde só precisaria de duas.

….

– Ei, você pintou os batentes das portas?

– Pintei, tá tudo pintadinho. Tá bonitinho, ó! Não fica melhor que isso.

Chega o mestre de obra.

– Ei, você não pintou esses batentes não? Esses buraco tão aparecendo tudo ainda!

– Pintei sim!

– Então passe mais uma demão, que ficou uma porcaria.

….

– Ei, você pintou o teto da varanda?

– Pintei sim!

No momento, acreditei no que ele falou. Mais tarde, quando fui prestar atenção, ele não tinha pintado nada do teto – teias de aranha e rachaduras da pintura anterior estavam muito óbvias. Ele mentiu pra mim.

….

Conclusão? Se for pintar sua casa e mora em Campinas ou região, me pergunte qual pintor você deverá evitar.

 
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Publicado por em 06/08/2012 em Doideras, Jeitinho Brasileiro, Tem que ver isso aí

 

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Oi, Brasil!

Retrovisor tipo balcão de bar.

Dizem que bom filho à casa torna. Não sei se conta nesse caso, já que voltei à cidade onde fiz faculdade e não  à mamãe.

Brasil é um país legal. Cheio de problema e de festas boas sem hora pra acabar. Onde não só sair bebendo uma cerveja na rua não é crime, mas também muita coisa acontece sem ser punida. Todos país é feito de contrastes, e nenhum outro país sabe dar um jeitinho de unir todos eles num lugar só como o nosso faz.

É sempre difícil mudar. Muito do que achamos que conhecemos foi mudado de forma e lugar feito vento em dunas de areia. Tudo que nos era tão familiar há pouco tempo se torna estranho; e de repente não sabemos mais de onde somos. A tia do balcão do restaurante não é a mesma, a padaria reformou e trocou de dono, todos os seus amigos se mudaram ou estão em empregos diferentes com um papo de “tive que mudar de ramo, aquele nosso agora tá osso”. E aí bate aquela neura de ver sites lotados de ofertas de emprego e quase nenhuma serve pra você. As contas a pagar empilham e a conta do banco vai morrendo de inanição.

Nisso vamos atirando pra tudo que é lado, procurando coisa pra fazer, num primeiro momento se focando nas coisas mais legais e já planejando para, no futuro, quem sabe se não rolar correr atrás de algo diferente em outra cidade ou nessa mesma. Porque o importante é não parar, ficar sempre nessa paranoia, que assim dizem que seremos mais felizes um dia desse aí no futuro. Acho engraçado como sempre nos vendem o conceito de que ser feliz hoje é errado, mas isso é assunto pra outro dia.

Vou escrevendo groselha por aqui nesse meio tempo, que é bom evitar o sedentarismo e sempre tem algum maluco que acaba lendo. Olá você!

 
 

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Assisti: Os Descendentes

Paraíso nublado

Taí um filme que tinha tudo pra dar errado. A história é super cliché: homem trabalhador ultra ocupado que nunca vê as filhas, esposa morre, pai lida com as tensões familiares e de quebra ainda tem que lidar com uma porção de primos querendo fazer uma grana fácil. Até aí, parece aqueles filmes que sua mãe adora e você não entende porquê.

Aí entra George Clooney em mais uma atuação exemplar. Grisalho, barrigudo e pai distante, Clooney sobrevive a todas as tensões do jeito mais humano possível. Sua atuação exemplar é envolvida por vários outros atores que lhe suportam e se superam a cada cena.

Situado no Hawaii, cada cena mostra praias e cenários lindos que podiam muito bem estar na continuação de Férias Frustradas junto do Chevy Chase. A fotografia utiliza o contraste de nublado e sol para adicionar carga emocional em cada cena e embasar melhor sua visão de que o inferno e o paraíso podem estar mais perto um do outro do que se imagina.

Vale o ingresso, pois nunca é ruim ver um drama super bem atuado. Também porque nós brasileiros sabemos muito bem como é viver no paraíso e ainda assim ter que lidar com todos os problemas possíveis.

 
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Publicado por em 26/02/2012 em Tem que ver isso aí

 

Última jogada: Sonic CD

Sonic CD. Um jogo que, por mais de uma década, esteve perdido no tempo. Sucesso de crítica e fracasso de vendas por ter sido lançado no malfadado Sega CD, ele foi vítima de diversos portes meia-boca para PC e Playstation 2, com bugs e problemas de performance que faziam qualquer um desistir.

Pule para 2011, 18 anos depois de seu primeiro lançamento. Sonic CD acabou de ser relançado para diversas plataformas, e tive o prazer de jogá-lo no iPad. Prazer mesmo, pois esse porte traz performance perfeita em todos os momentos, ambas as trilhas sonoras japonesa e norte-americana para escolher e nenhuma fase cortada fora. Tudo isso por apenas duas doletas.

Controle e balanceamento perfeitamente polidos, múltiplas linhas do tempo e um conjunto gigante de possibilidades fazem desse Sonic um jogo incrível, digno de estar em qualquer lista de top 100. Ele simboliza como ninguém o ápice da criatividade da Sega, ou como dizem, “o melhor da época que a Sega sabia fazer jogo”. Uma era que toda vez que ouvimos o nome “Sonic” rezamos que seja revivida.

Se você tem qualquer uma das plataformas em que esse jogo foi lançado, não deixe passar em branco. Esse jogo representa um dos momentos mais lindos da história do videogame e seria um crime deixá-lo para trás. Mesmo apesar dele ser difícil pra burro.

 
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Publicado por em 18/12/2011 em Jogando

 

Estrangeirismos

Faculdade. Aquele lugar que ensina, além de escolher qual vodka comprar pra diminuir a ressaca, como se comunicar bem na sua língua. Nem que seja à força.

Virou mania. Pra alguns, é coisa chique poder mostrar pra todo mundo da família que foi pra gringa aprender “ingrêis”. Ou que “já até assiste filme sem legenda”. Pra muitos, vira jargão da tribo. Entretanto, por mais que tentem esconder, transparece que a capacidade deles de achar equivalentes das palavras estrangeiras em sua língua natal é baixa. Ou que não se importam. Ou que querem parecer elitizados.

Em muitos casos, é falta de uso da língua em ocasiões mais exigentes, como escrever redações ou trabalhos técnicos, ou ler livros com palavras mais variadas. Ter que dizer “whatever” ao invés de “tanto faz”, e justificar-se que o sentido é diferente e que por isso usa a versão gringa…

Comunicar-se é uma tarefa muito mais difícil do que costumamos julgar; é muito fácil sair enchendo seu português de expressões estrangeiras e chamar tudo de “bosta de vaca”. Difícil é manter aquele dicionário afiado na ponta da língua e saber que escrever cada parte do seu texto numa língua diferente não nota cultura, e sim sua dificuldade em conseguir imergir-se na cultura e na atenção necessárias para tal.

Tente o exercício de eliminar ao máximo todos os estrangeirismos desnecessários que você usa todo dia. Concentre-se em falar o mais lindo português que você aprendeu na escola, cheio dos tempos verbais complicados e possibilidades de rimas ricas. Pode parecer patético, de início, chamar aquele joystick de controle ou whatever de tanto faz, chamar o job de trabalho e o cupcake de bolinho. Juro que não é.

É quase como aprender uma nova língua.

 
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Publicado por em 05/12/2011 em Doideras, Jeitinho Brasileiro, Tem que ver isso aí

 
 
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