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Estrangeirismos

05 dez

Faculdade. Aquele lugar que ensina, além de escolher qual vodka comprar pra diminuir a ressaca, como se comunicar bem na sua língua. Nem que seja à força.

Virou mania. Pra alguns, é coisa chique poder mostrar pra todo mundo da família que foi pra gringa aprender “ingrêis”. Ou que “já até assiste filme sem legenda”. Pra muitos, vira jargão da tribo. Entretanto, por mais que tentem esconder, transparece que a capacidade deles de achar equivalentes das palavras estrangeiras em sua língua natal é baixa. Ou que não se importam. Ou que querem parecer elitizados.

Em muitos casos, é falta de uso da língua em ocasiões mais exigentes, como escrever redações ou trabalhos técnicos, ou ler livros com palavras mais variadas. Ter que dizer “whatever” ao invés de “tanto faz”, e justificar-se que o sentido é diferente e que por isso usa a versão gringa…

Comunicar-se é uma tarefa muito mais difícil do que costumamos julgar; é muito fácil sair enchendo seu português de expressões estrangeiras e chamar tudo de “bosta de vaca”. Difícil é manter aquele dicionário afiado na ponta da língua e saber que escrever cada parte do seu texto numa língua diferente não nota cultura, e sim sua dificuldade em conseguir imergir-se na cultura e na atenção necessárias para tal.

Tente o exercício de eliminar ao máximo todos os estrangeirismos desnecessários que você usa todo dia. Concentre-se em falar o mais lindo português que você aprendeu na escola, cheio dos tempos verbais complicados e possibilidades de rimas ricas. Pode parecer patético, de início, chamar aquele joystick de controle ou whatever de tanto faz, chamar o job de trabalho e o cupcake de bolinho. Juro que não é.

É quase como aprender uma nova língua.

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Comentários desativados em Estrangeirismos

Publicado por em 05/12/2011 em Doideras, Jeitinho Brasileiro, Tem que ver isso aí

 

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