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Arquivo da categoria: Jeitinho Brasileiro

O Pintor

Reformar a casa é sempre uma aventura, daquelas que se planeja antes com uma felicidade incrível, se sofre amargamente durante, e se festeja muito quando acaba.

Esses dias contratamos um pintor.

– É assim: tem duas cores de tinta, a bege e a verde. Use a verde pra pintar essa parede aqui da sala e o lavabo; todo o resto da casa pinte com a bege.

– Tá bom. E essa outra parede aqui, que cor é?

– Essa outra aí é bege. Verde é só o que eu te falei antes.

– Tá. E essa terceira aqui?

– Bege também – dizemos, e ao mesmo tempo levamos nossas mãos às nossas testas.

No final das contas, tivemos que escrever, em todas as paredes da casa, quais cores deveriam ser usadas em cada uma delas.

….

– Relaxa que eu termino isso aí rapidinho – diz pintor, se preparando pra sair de casa às 3 da tarde.

– Bem, se termina rapidinho dá pra terminar hoje! São três da tarde ainda!

….

– Tinta de acabamento acetinado é mó ruim

– Por quê?

– Porque aparece muito o erro do pintor.

– Ah, não tem problema, você vai fazer ficar bem bonitinho, não?

Pintor fica obviamente irritado.

….

– Que bonito esse tom de bege! –  diz o pintor, ao olhar a tinta na lata

– Que esquisito esse bege na parede… – diz o pintor, após a primeira demão

– Esse bege aí, tô dizendo, vai ficar mó feio. Tinha que ser um amarelo mais escuro ou aquele verde ali nas parede tudo! – diz o pintor, ao descobrir que a tinta precisaria de três a quatro demãos pra ficar boa, enquanto a verde só precisaria de duas.

….

– Ei, você pintou os batentes das portas?

– Pintei, tá tudo pintadinho. Tá bonitinho, ó! Não fica melhor que isso.

Chega o mestre de obra.

– Ei, você não pintou esses batentes não? Esses buraco tão aparecendo tudo ainda!

– Pintei sim!

– Então passe mais uma demão, que ficou uma porcaria.

….

– Ei, você pintou o teto da varanda?

– Pintei sim!

No momento, acreditei no que ele falou. Mais tarde, quando fui prestar atenção, ele não tinha pintado nada do teto – teias de aranha e rachaduras da pintura anterior estavam muito óbvias. Ele mentiu pra mim.

….

Conclusão? Se for pintar sua casa e mora em Campinas ou região, me pergunte qual pintor você deverá evitar.

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Publicado por em 06/08/2012 em Doideras, Jeitinho Brasileiro, Tem que ver isso aí

 

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Oi, Brasil!

Retrovisor tipo balcão de bar.

Dizem que bom filho à casa torna. Não sei se conta nesse caso, já que voltei à cidade onde fiz faculdade e não  à mamãe.

Brasil é um país legal. Cheio de problema e de festas boas sem hora pra acabar. Onde não só sair bebendo uma cerveja na rua não é crime, mas também muita coisa acontece sem ser punida. Todos país é feito de contrastes, e nenhum outro país sabe dar um jeitinho de unir todos eles num lugar só como o nosso faz.

É sempre difícil mudar. Muito do que achamos que conhecemos foi mudado de forma e lugar feito vento em dunas de areia. Tudo que nos era tão familiar há pouco tempo se torna estranho; e de repente não sabemos mais de onde somos. A tia do balcão do restaurante não é a mesma, a padaria reformou e trocou de dono, todos os seus amigos se mudaram ou estão em empregos diferentes com um papo de “tive que mudar de ramo, aquele nosso agora tá osso”. E aí bate aquela neura de ver sites lotados de ofertas de emprego e quase nenhuma serve pra você. As contas a pagar empilham e a conta do banco vai morrendo de inanição.

Nisso vamos atirando pra tudo que é lado, procurando coisa pra fazer, num primeiro momento se focando nas coisas mais legais e já planejando para, no futuro, quem sabe se não rolar correr atrás de algo diferente em outra cidade ou nessa mesma. Porque o importante é não parar, ficar sempre nessa paranoia, que assim dizem que seremos mais felizes um dia desse aí no futuro. Acho engraçado como sempre nos vendem o conceito de que ser feliz hoje é errado, mas isso é assunto pra outro dia.

Vou escrevendo groselha por aqui nesse meio tempo, que é bom evitar o sedentarismo e sempre tem algum maluco que acaba lendo. Olá você!

 
 

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Estrangeirismos

Faculdade. Aquele lugar que ensina, além de escolher qual vodka comprar pra diminuir a ressaca, como se comunicar bem na sua língua. Nem que seja à força.

Virou mania. Pra alguns, é coisa chique poder mostrar pra todo mundo da família que foi pra gringa aprender “ingrêis”. Ou que “já até assiste filme sem legenda”. Pra muitos, vira jargão da tribo. Entretanto, por mais que tentem esconder, transparece que a capacidade deles de achar equivalentes das palavras estrangeiras em sua língua natal é baixa. Ou que não se importam. Ou que querem parecer elitizados.

Em muitos casos, é falta de uso da língua em ocasiões mais exigentes, como escrever redações ou trabalhos técnicos, ou ler livros com palavras mais variadas. Ter que dizer “whatever” ao invés de “tanto faz”, e justificar-se que o sentido é diferente e que por isso usa a versão gringa…

Comunicar-se é uma tarefa muito mais difícil do que costumamos julgar; é muito fácil sair enchendo seu português de expressões estrangeiras e chamar tudo de “bosta de vaca”. Difícil é manter aquele dicionário afiado na ponta da língua e saber que escrever cada parte do seu texto numa língua diferente não nota cultura, e sim sua dificuldade em conseguir imergir-se na cultura e na atenção necessárias para tal.

Tente o exercício de eliminar ao máximo todos os estrangeirismos desnecessários que você usa todo dia. Concentre-se em falar o mais lindo português que você aprendeu na escola, cheio dos tempos verbais complicados e possibilidades de rimas ricas. Pode parecer patético, de início, chamar aquele joystick de controle ou whatever de tanto faz, chamar o job de trabalho e o cupcake de bolinho. Juro que não é.

É quase como aprender uma nova língua.

 
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Publicado por em 05/12/2011 em Doideras, Jeitinho Brasileiro, Tem que ver isso aí

 

E esse maluco do Mortal Kombat?

Fonte: UOL Jogos

Sô foda!

Resumindo a ópera: moço comprou jogo do cara que trabalhava na fábrica de jogos, e foi revender na internet. Problema é que esse jogo não foi lançado ainda, o que gerou um bafafá incrível de que nenhum brasileiro que se preze consegue seguir um NDA.

Fim das contas, ninguém sabia direito o que tinha rolado, muitos lamentaram e o que nos resta é pensar: uau, como esse cara consegue cópias dos jogos antes de serem lançados direto com a fábrica há anos? Como funciona isso? Será que algum funcionário dá baixa em estoque dizendo que o produto é defeituoso, e aí então vende pra molecada desavisada de que a mercadoria é, per se, roubada?

Triste é saber que se acredita que, depois de pago, toda a culpa é exonerada. Essa besteira pode custar a cabeça de algumas pessoas muito competentes e, muito provavelmente, o real ladrão passará impune. Jeitinho, né? É disso que chamam.

 
 
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