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Arquivo da categoria: Tem que ver isso aí

Agulhas e Linhas

Classe e postura num look moderno

A tão famigerada moda.

Gosto como moda virou um saco de pancadas, um alvo fácil: sempre que se quer falar de futilidade, lá está ela, prontinha pra levar uns sopapos. Mas o mais divertido é como isso aconteceu.

Moda sempre foi um trabalho de artesãos. Quem já experimentou remendar uma roupa ou pregar botões sabe do que eu estou falando: demora muito e requer muita habilidade. Cada ponto, cada botão e cada bordado levam horas para serem executados e trazem muito do estilo do artesão. Pontos mais soltos ou apertados, cores leves ou fortes, modelagens clássicas ou contemporâneas convivem e comunicam intenções e habilidades. A análise da vestimenta é uma das formas mais visuais de se entender a cultura de um povo, desde como tratam suas mulheres e crianças até como as guerras se defloram.

Até que chegou uma hora que o artesão ficou em segundo plano, e a figura do estilista foi criada.

1846: o alfaiate inglês Charles Frederick Worth, aos 21 anos, muda-se de Londres para Paris. Em pouco tempo, torna-se o primeiro costureiro com ateliê e a desfilar suas criações em modelos vivos. Vestiu rainhas e imperatrizes, foi o primeiro “fornecedor”, como eram chamados pela aristocracia os comerciantes da época, a entrar pela porta da frente e frequentar os ambientes sociais de suas clientes. Revolucionário, é considerado o pai da alta costura, aquele que deu início ao que se pode chamar de história da moda feminina ocidental.

Fonte: Blog do Gayegos

Mesmo ainda sendo um artesão, a figura mudou de imagem. O fato de ser um costureiro ficou em segundo plano, e a criatividade envolvida na criação obteve uma aura de magia fazendo com que as pessoas se esquecessem como roupas são criadas. Se esqueceu do engenheiro e se deu valor demais pro arquiteto, desconsiderando o fato de que um não vive sem o outro.

Hoje, com a dominação de produtos feitos em massa, muitas comunidades se esforçam para retomar o valor ao artesão. Por outro lado, o culto à moda se esqueceu deles. Enquanto se dá valor ao ter em quantidade ao invés de qualidade, à rapidez e à volatilidade, temos cada vez mais uma moda que se assemelha ao nosso tempo: rápida, mal feita, efêmera, fútil. Se dá valor a fotógrafas de looks do dia, se esquece da costureira que demorou três dias pra fazer um vestido e ganhou 5 reais por hora. Se cobra do estilista criatividade infinita e seis coleções ao ano, se esquece que moda é feita de agulha, linha, tecido e muito estudo. A moda é uma arte de artesãos, e não de quem almeja glamour. Glamour é consequência e não regra.

Talvez devêssemos criar com nossas próprias mãos, assim tornando mais ampla nossa visão sobre o objeto e, quem sabe, mais interessante. E troque mentalmente “moda” por “games” nesse texto que continua fazendo sentido.

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Publicado por em 07/08/2012 em Consumismo, Tem que ver isso aí

 

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O Pintor

Reformar a casa é sempre uma aventura, daquelas que se planeja antes com uma felicidade incrível, se sofre amargamente durante, e se festeja muito quando acaba.

Esses dias contratamos um pintor.

– É assim: tem duas cores de tinta, a bege e a verde. Use a verde pra pintar essa parede aqui da sala e o lavabo; todo o resto da casa pinte com a bege.

– Tá bom. E essa outra parede aqui, que cor é?

– Essa outra aí é bege. Verde é só o que eu te falei antes.

– Tá. E essa terceira aqui?

– Bege também – dizemos, e ao mesmo tempo levamos nossas mãos às nossas testas.

No final das contas, tivemos que escrever, em todas as paredes da casa, quais cores deveriam ser usadas em cada uma delas.

….

– Relaxa que eu termino isso aí rapidinho – diz pintor, se preparando pra sair de casa às 3 da tarde.

– Bem, se termina rapidinho dá pra terminar hoje! São três da tarde ainda!

….

– Tinta de acabamento acetinado é mó ruim

– Por quê?

– Porque aparece muito o erro do pintor.

– Ah, não tem problema, você vai fazer ficar bem bonitinho, não?

Pintor fica obviamente irritado.

….

– Que bonito esse tom de bege! –  diz o pintor, ao olhar a tinta na lata

– Que esquisito esse bege na parede… – diz o pintor, após a primeira demão

– Esse bege aí, tô dizendo, vai ficar mó feio. Tinha que ser um amarelo mais escuro ou aquele verde ali nas parede tudo! – diz o pintor, ao descobrir que a tinta precisaria de três a quatro demãos pra ficar boa, enquanto a verde só precisaria de duas.

….

– Ei, você pintou os batentes das portas?

– Pintei, tá tudo pintadinho. Tá bonitinho, ó! Não fica melhor que isso.

Chega o mestre de obra.

– Ei, você não pintou esses batentes não? Esses buraco tão aparecendo tudo ainda!

– Pintei sim!

– Então passe mais uma demão, que ficou uma porcaria.

….

– Ei, você pintou o teto da varanda?

– Pintei sim!

No momento, acreditei no que ele falou. Mais tarde, quando fui prestar atenção, ele não tinha pintado nada do teto – teias de aranha e rachaduras da pintura anterior estavam muito óbvias. Ele mentiu pra mim.

….

Conclusão? Se for pintar sua casa e mora em Campinas ou região, me pergunte qual pintor você deverá evitar.

 
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Publicado por em 06/08/2012 em Doideras, Jeitinho Brasileiro, Tem que ver isso aí

 

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Assisti: Os Descendentes

Paraíso nublado

Taí um filme que tinha tudo pra dar errado. A história é super cliché: homem trabalhador ultra ocupado que nunca vê as filhas, esposa morre, pai lida com as tensões familiares e de quebra ainda tem que lidar com uma porção de primos querendo fazer uma grana fácil. Até aí, parece aqueles filmes que sua mãe adora e você não entende porquê.

Aí entra George Clooney em mais uma atuação exemplar. Grisalho, barrigudo e pai distante, Clooney sobrevive a todas as tensões do jeito mais humano possível. Sua atuação exemplar é envolvida por vários outros atores que lhe suportam e se superam a cada cena.

Situado no Hawaii, cada cena mostra praias e cenários lindos que podiam muito bem estar na continuação de Férias Frustradas junto do Chevy Chase. A fotografia utiliza o contraste de nublado e sol para adicionar carga emocional em cada cena e embasar melhor sua visão de que o inferno e o paraíso podem estar mais perto um do outro do que se imagina.

Vale o ingresso, pois nunca é ruim ver um drama super bem atuado. Também porque nós brasileiros sabemos muito bem como é viver no paraíso e ainda assim ter que lidar com todos os problemas possíveis.

 
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Publicado por em 26/02/2012 em Tem que ver isso aí

 

Estrangeirismos

Faculdade. Aquele lugar que ensina, além de escolher qual vodka comprar pra diminuir a ressaca, como se comunicar bem na sua língua. Nem que seja à força.

Virou mania. Pra alguns, é coisa chique poder mostrar pra todo mundo da família que foi pra gringa aprender “ingrêis”. Ou que “já até assiste filme sem legenda”. Pra muitos, vira jargão da tribo. Entretanto, por mais que tentem esconder, transparece que a capacidade deles de achar equivalentes das palavras estrangeiras em sua língua natal é baixa. Ou que não se importam. Ou que querem parecer elitizados.

Em muitos casos, é falta de uso da língua em ocasiões mais exigentes, como escrever redações ou trabalhos técnicos, ou ler livros com palavras mais variadas. Ter que dizer “whatever” ao invés de “tanto faz”, e justificar-se que o sentido é diferente e que por isso usa a versão gringa…

Comunicar-se é uma tarefa muito mais difícil do que costumamos julgar; é muito fácil sair enchendo seu português de expressões estrangeiras e chamar tudo de “bosta de vaca”. Difícil é manter aquele dicionário afiado na ponta da língua e saber que escrever cada parte do seu texto numa língua diferente não nota cultura, e sim sua dificuldade em conseguir imergir-se na cultura e na atenção necessárias para tal.

Tente o exercício de eliminar ao máximo todos os estrangeirismos desnecessários que você usa todo dia. Concentre-se em falar o mais lindo português que você aprendeu na escola, cheio dos tempos verbais complicados e possibilidades de rimas ricas. Pode parecer patético, de início, chamar aquele joystick de controle ou whatever de tanto faz, chamar o job de trabalho e o cupcake de bolinho. Juro que não é.

É quase como aprender uma nova língua.

 
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Publicado por em 05/12/2011 em Doideras, Jeitinho Brasileiro, Tem que ver isso aí

 

Eu fui: Richard Cheese & Lounge Against the Machine

Bonachisse em pessoa.

Foi divertido. Cheese e sua banda laticínica tocaram no Bimbo’s 365, uma casa de shows super tradicional de San Francisco. Show sentado, com mesa, garçom e comida, do jeito que era antigamente.

Richard Cheese exibe durante a noite todo seu humor sarcástico e cheio de piadas sexistas, que a galera daqui leva na boa vendo que ele também leva na boa e respeita todo mundo. Muito competente em lidar com público e usando sua já famosa voz de veludo, andando pela platéia e trocando de roupa feito popstar, fez versões de clássicos como Baby Got Back, Like a G6, Just Dance e Creep. Deixou a galera antiga triste pela falta de hits como Welcome to the Jungle, Sunday Bloody Sunday e Man in the Box. Vale lembrar o ápice da noite: após distribuir para as primeiras fileiras copinhos cheios de água com sabão e argolas fazedoras de bolhas, Cheese tocou o tema de Bob Esponja. Tão emocionante… deu pra chorar. De rir.

Se ele estiver passando perto de onde você mora, recomendo ir ver o show do moço. Dá pra dar umas boas risadas. Caso não, dê uma ouvida que é sempre divertido.

 
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Publicado por em 08/09/2011 em Tem que ver isso aí

 

Peraí…

Hmm...

Essa é a Beyoncé num show em New York, há pouco mais de dez dias atrás. Show normal, etc. Segue vídeo:

http://www.dailymotion.com/embed/video/xklhfz
Beyoncé – Countdown @ Roseland by javierlobe

Aí ela aparece no VMA essa semana… de barriga?

Sei não.

 
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Publicado por em 29/08/2011 em Tem que ver isso aí

 
 
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